Entrevista com Vania Valentini

Olá meus caros amigos hoje vou compartilhar com vocês a entrevista feita à uma das maiores especialistas de Champanhe aqui na Itália, Vania Valentini, com quem tive a oportunidade de participar a uma anteprima da vinícola “Ca del Bosco” na região de Franciacorta. Vania tem uma história recente até por ser ainda uma jovem mulher, foi à           vários anos atrás quando morava em Londres que despertou seu amor pelo mundo de Baco, levando ela a iniciar cursos de introdução ao vinho, até chegar aos dias de hoje, onde é uma especialista da região francesa , Champagne, ela é reconhecida e requisitada em todo o país para falar do rei dos espumantes, vamos acompanhar sua trajetória até os dias atuais na nesta entrevista.

Enoacademy: “Antes de tudo obrigado Vania pela sua disponibilidade em ter tirado um pouco do seu tempo para contar a sua história. É um prazer falar com você, em primeiro lugar gostaria de saber como começou sua paixão pelo mundo do vinho e o que te levou a chegar nesse patamar?

Vania: “Olá a todos, vou procurar ser bastante breve, mesmo se deveria ser algo mais aprofundado para falar sobre esse meu grande amor pelo vinho. Antes de tudo, foi algo que aconteceu 20 anos atrás, quando fui morar em Londres para trabalhar então encontrei um trabalho em um wine bar. Lá comecei à ver  que vários homens que bebiam vinho me chamavam e me faziam degustar vinhos como Bordeaux, Borgogna, vinhos que eu nunca tinha experimentado, naquela época na Itália à cultura do vinho era pouco divulgada, e passando por essas experiências conheci o fascínio em decantar a bebida de Baco, falar da sua história e descobrir tudo que tem por trás de um vinho. Aprendi  a reconhecer um Barolo de um Barbaresco, a diferenciar um Bordeaux de um Borgogna. Em vez disso, falando de espumante, o primeiro champagne que bebi foi um Dom Perignon mas não me lembro a safra, e foi sempre na cidade londinese onde morei, isso foi em 1995, mas creio que a safra do Champagne era a de 1988, então quando voltei para Itália percebi que todos bebiam cocktail, cerveja! Poucos bebiam vinho, então decidi fazer um curso de aproximação ao mundo do vinho com uma mulher que conheci e me propôs de fazer-lo. E naquele momento um mundo se abriu.

A mulher que me propôs o curso era especializada em Champagne sem falar que era uma mulher muito bonita, fiquei fascinada  da beleza, da cultura, da história atrás de uma taça de vinho, então decidi fazer os cursos da AIS (Associação italiana sommelier).  Depois de conseguir o diploma de sommelier não satisfeita, mesmo a associação me aconselhando de fazer uma pausa para aprender bem o que tinha estudado, continuei com meu objetivo e decide fazer o Master em vinhos em Colorno na escola Alma . Foi durante o master  que pude conhecer grandes personagens do mundo do vinho aos quais agradecerei sempre como grande Andrea Grignaffini, um dos maiores críticos enogastronômicos mundial, Pierluigi Gorgoni, sommelier de alto nível que eu considero o melhor paladar italiano, ele é um grande poeta do vinho. Com esses dois Mitos colaborei por um tempo. E ao final conheci Alberto Lupetti, que é um dos maiores conhecedores de Champanhe do mundo; depois das primeiras colaborações ele me propôs de trabalhar juntos e hoje estou aqui falando mais de champanhe do que Bordeaux e Borgogna, e sou escritora do maior blog sobre Champagne da Itália!

Enoacademy: “Vania no mundo do vinho as mulheres têm o mesmo espaço que os homens atualmente?”
Vania: “Boa pergunta. Eu acredito que as mulheres não tinham esse espaço, antes de escolher a região Champagne queria fazer a região  Piemonte, mas, entendi que Piemonte e Borgogna são ambientes predominantemente masculinos, mas não porque sejam machistas, é a experiência e a competência  que eles tem sobre esses argumentos, homens como Armando Castagno, Gianpiero Pulcini e Giancarlo Marino, personagens que conhecem o vinho da Borgogna como ninguem, é uma região muito difícil e Barolo igualmente, com territórios bem diversos e Crus bem articulados, não é fácil. Mas acredito que a mulher conseguiu o proprio espaço no mundo do vinho principalmente nos últimos anos, se  entendeu que à parte a beleza, o ser mulher, existe muito mais,ela conhece o vinho e tem argumentos. Mesmo falando isso, soa meio estranho eu dizer que os melhores degustadores que conheço são todos homens de grande sensibilidade, que vão muito a fundo no argumento, não encontrei mulheres que conseguiram me emocionar como esses grandes conhecedores.


Enoacademy: “Vania qual foi a motivação que te levou a escolher uma região francesa e não italiana de espumantes para dedicar sua paixão pelo mundo do Vinho?”
Vania:  Foi um acaso. Comecei a escrever sobre a região de Champagne e os Espumantes feitos  nela, porque me fizeram uma proposta e devo admitir que quando comecei a conhecer a região comecei a entender porque quando se fala de Espumantes se fala de Champagne, mesmo sabendo que o espumante  não nasceu ali, porém a origem é ali, em um lugar onde tem a Catedral de Reims onde foram Coroados vários Reis da França, por isso logo se nota o fascínio, esse mito do Luxo, da nobreza, a história que deixou cicatrizes nesse lugar.

A primeira guerra mundial, a Segunda Guerra Mundial e antes mesmo a própria Revolução Francesa, se fala de três séculos de história, além da experiência, nenhuma outra região no mundo à  importância quanto tem Champagne, mesmo se outros países como a Itália tem sua história já com seus espumantes, mas , quando se fala na região francesa se perde entre histórias e mitos.
Enoacademy: Vania Fale um Champagne que você bebeu e nunca conseguiu esquecer?
Vania: É  a segunda vez que me perguntam isso, foi um Champagne Jacquesson 1988 dégorgement original (Palavra francesa que designa um método pelo qual os sedimentos da segunda fermentação do champanhe (ou espumante) é retirado com mínima perda do vinho. Congela-se o gargalo da garrafa, onde os sedimentos foram depositados, e remove-se temporariamente a cortiça. A pressão interna força o sedimento para fora.) ou seja, muitos anos atrás e um Jacquesson dégorgement Tardivo 1989, me impressionaram  bastante, e os reconheço quando faço uma degustação às cegas, é incrível esse Champagne à um perfume de pólvora de arma bem característico, são próprios esses Champagnes que te levam  ao passado e recordam a história e te emocionam, eles me deram grandes emoções, e outro foi um Bollinger 1973 foi uma bela degustação!

 Enoacademy: Uma última coisa pode dar um conselho para os mais jovens que são apaixonados pelo mundo do vinho que querem se lançar no mundo profissional?
Vania: Então, hoje tem muito mais possibilidades do que quando  eu tive, degustação, provar muitos vinhos, grandes expoentes do mundo do vinho, professores importantes, feiras em todo lugar degustem tudo, provém e se algum for escolher a escola eu aconselho AIS ( Associação italiana sommelier). Comprem livros de grandes escritores do mundo vinho. Escolher a estrada  justa, como professor, escritor, sommelier de sala, existem mil possibilidades.

Enoacademy: Gostaria de agradecer pela entrevista e espero de encontrar você por ai em outras degustações.

Vania:  Com prazer, obrigado a você e quando tiver curiosidades, perguntas estarei a disposição.   

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